A rede Observatur da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), realizaram uma pesquisa para investigar a apropriação social do Centro Histórico de Manaus pela população. Com o objetivo de divulgar os resultados do trabalho e entregar os certificados à equipe envolvida, aconteceu na última sexta-feira (31), uma reunião com os integrantes da pesquisa no Ministério da Fazenda, localizado na Rua Marechal Deodoro, 27, Centro.

O historiador do Iphan/AM, Matheus Blach, conta que a pesquisa teve como objetivo entender quais os valores que as pessoas atribuem aos espaços para que se entenda o que deve ser preservado e o que pode estar aberto a possíveis transformações. Com isso, é possível romper com a velha visão de que o Iphan é um órgão proibitivo e que o tombamento é um ato de congelamento da cidade, mas contrariamente, conscientizar a população de que o tombamento existe para valorizar as possibilidades de desenvolvimento, apropriação, vivências da cultura, gastronomia e da música.

“Nós temos uma visão sobre o Centro Histórico que o preza por seus valores ligados aquele momento da história de Manaus, mas sabemos que além desses valores do passado, há os valores do presente, no qual as pessoas atribuem às lembranças que podem ser associadas a esses valores técnicos”, comentou Matheus Blach.

A superintendente do Iphan no Amazonas, Karla Bitar, destacou que o encontrou teve como proposta dar um feedback à UEA para que os colaboradores saibam como ficou a formatação do trabalho quase concluído, além de entregar algumas publicações para incentivar os envolvidos a se aprofundarem na temática do patrimônio. “Desde 2010, o Iphan trabalha numa lógica de diretrizes estipulados por dossiê, porém, cabe neste momento fazer o trabalho de entendimento junto às pessoas. O patrimônio só existe porque as pessoas dão valor a ele”, observou.

O antropólogo do Iphan/AM, Mauro Dourado, revelou que o resultado final vai acabar compondo um dossiê de pesquisa para outros pesquisadores, de modo que todo o material em produção servirá para a comunidade acadêmica que tem interesse em pesquisar sobre o Centro. “A UEA foi fundamental para a realização desse trabalho porque no início das atividades tínhamos uma visão de que era um desafio muito extenso e cansativo. Mas hoje, ao fim dele, temos a convicção de que era impossível fazermos sozinhos, por isso a Universidade foi essencial por ceder os estagiários e pesquisadores que colaboraram com essa missão”, disse Mauro.

Yara Magabi, agora egressa da UEA, foi convidada a participar da pesquisa quando ainda era aluna e fala sobre a satisfação em ter realizado parte de mais uma contribuição com a cidade. “Foi uma experiência maravilhosa. Nesse trabalho pesquisamos como esses espaços tombados pelo Iphan que fazem parte do Centro são ocupados pela população, como as pessoas os veem e se entendem que são patrimônios”, conta a recém-formada Turismóloga.

Texto: Guilherme Oliveira/ASCOM UEA
Foto: Joelma Sanmelo/ASCOM UEA

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